sexta-feira, 14 de maio de 2021

BUTANTAN INTERROMPE A PRODUÇÃO E REDUZ PELA METADE A PREVISÃO DE ENTREGA DE VACINA EM MAIO.

A produção da 
Coronavac, vacina contra a covid-19 do Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, foi interrompida por falta de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA). O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB) nesta sexta-feira, (14/5), durante a entrega do último lote da primeira etapa do contrato de 46 milhões de doses da vacina para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. 

A situação também vai impactar na previsão de entrega de doses para o mês de maio, de acordo com o instituto, o número seria de 12 milhões de doses, mas o repasse deve ser de pouco mais de 5 milhões. Segundo a gestão estadual, o cronograma de vacinação anunciado será cumprido, mas é possível que o ritmo seja desacelerado para que não ocorram interrupções. 

"Não temos mais insumos, mais IFA, para a produção de vacinas Coronavac, que até aqui abasteceram 70% de todo o sistema vacinal do País. Não temos porque o governo da China ainda não liberou o embarque de 10 mil litros de insumos que estão prontos, destinados ao Instituto Butantan pelo laboratório Sinovac, que correspondem a aproximadamente 18 milhões de doses da vacina, absolutamente necessários para manter a frequência do sistema vacinal, acelerar e, principalmente, atender aqueles que precisam tomar a segunda dose da vacina", disse o governador. 

Doria voltou a afirmar que o atraso para a liberação está ligado a ofensas que o presidente Jair Bolsonaro e membros do governo federal fizeram ao governo chinês e à China, algo que acabou interferindo nas negociações. 

"Todos sabem que temos um entrave diplomático, fruto de declarações inadequadas, desastrosas feitas pelo governo federal contra a China, contra o governo da China e a própria vacina. Isso gerou um bloqueio por parte do governo chinês para a liberação do embarque desses insumos." 

Segundo o diretor do instituto, Dimas Covas, o atraso da primeira remessa do contrato foi de 12 dias, algo que é considerado normal. Mesmo assim, o quadro já impacta nas previsões de entrega de doses para maio. "O segundo contrato está em andamento. Com a entrega de hoje, serão 1,2 milhão de doses do segundo contrato, que foi assinado em fevereiro. Nesse momento, o que se atrasa é a previsão. Tínhamos a previsão de entregar, em maio, 12 milhões de doses e vamos entregar pouco mais de 5 milhões. Em junho, temos a previsão de 6 milhões de doses. Se o IFA chegar muito rapidamente, vamos cumprir o cronograma de maio, recuperar o cronograma de maio, e cumprir o de julho.

Isso vai afetar o cronograma de entregas para o Ministério da Saúde. "Oferecemos uma programação de entrega e ela vai sofrer um atraso em maio, que poderá ser recuperado em junho. No dia de hoje, conversei com os chineses e não houve de fato a liberação. Existe a notícia oficial da Fiocruz que ela teve a liberação para embarque no dia 22 e isso é uma boa notícia. Se começou a liberar, é possível que a gente tenha uma boa notícia nos próximos dias.

Coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI), Regiane de Paula reafirmou que o cronograma de vacinação anunciado está mantido, mas as demais etapas podem ter um ritmo mais lento. "Esperamos de fato que o programa estadual de vacinação de São Paulo não pare, podemos diminuir o ritmo, mas nós, até esse momento, não paramos como nenhuma outra capital, mas esperamos que o governo federal se sensibilize com todos os brasileiros e tome as atitudes que deve tomar.

Nesta manhã, o Instituto Butantan entregou 1,1 milhão de doses, totalizando 47,2 milhões de doses do primeiro lote e início da segunda remessa de 54 milhões de doses que também serão entregues ao PNI. 

Em nota enviada na última segunda-feira, 10, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Pequim acompanha permanentemente o processo de autorização de exportação de IFAs, atuando sempre com a agilidade necessária. 

Disse ainda que "Brasil e China dialogam e trabalham constantemente no enfrentamento da crise sanitária". 
Fonte: Estadão.

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