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terça-feira, 9 de junho de 2026

COM VERSÍCULOS BÍBLICOS E PAUTA ELEITORAL, PT DIVULGA CARTA DIRECIONADA A EVANGÉLICOS.

CARTA ABERTA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES.

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira (8) uma carta aberta voltada ao público evangélico. O documento reúne citações bíblicas e propostas de governo, além de defender a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

A carta foi elaborada durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, realizado em Brasília.

No texto, o partido rejeita a ideia de que os evangélicos formem um bloco político único e afirma que o encontro não pretende representar todas as denominações religiosas. O documento também critica a “tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política”.

A carta é estruturada a partir de passagens bíblicas que introduzem cada tema abordado. O texto começa com um trecho do livro de Isaías, relacionado à libertação dos oprimidos e ao combate à fome, e cita ainda versículos de Tiago, Mateus, Efésios e Pedro para fundamentar posições políticas e sociais.

Entre as propostas defendidas estão a ampliação de programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular. O documento também apoia medidas adotadas pelo governo Lula, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e o fim da escala de trabalho 6x1.

Além disso, a carta menciona o fortalecimento da agricultura familiar, a Reforma Agrária, políticas de incentivo ao primeiro emprego para jovens, atenção integral à saúde da mulher e ampliação do acesso da população negra ao sistema de justiça.

O texto aborda ainda temas ligados à soberania nacional e à preservação ambiental, defendendo a proteção das florestas, das águas e da biodiversidade. O documento utiliza também a expressão “Casa Comum”, frequentemente associada ao papa Francisco.

O encontro ocorreu em meio à troca de críticas entre a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o pastor Silas Malafaia. O líder religioso criticou as reuniões promovidas por Janja com mulheres evangélicas, classificando as participantes como “insignificantes”. Em resposta, Janja rebateu a declaração e afirmou não reconhecer Malafaia como pastor.

Historicamente, o PT enfrenta dificuldades para ampliar sua aproximação com o eleitorado evangélico. Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira, sendo 55,4% desse grupo composto por mulheres. Pesquisas recentes apontam desvantagem de Lula entre os eleitores evangélicos.

No início deste ano, o presidente também enfrentou críticas de setores da comunidade evangélica após um desfile de escola de samba que o homenageava apresentar alas com sátiras a grupos religiosos.

Durante o encontro desta segunda-feira, Janja fez uma autocrítica e reconheceu que o PT se afastou das igrejas ao longo dos últimos anos.

Na semana passada, lideranças evangélicas de diversas denominações participaram da Marcha para Jesus, em São Paulo. O evento contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL), um dos principais nomes da oposição ao PT, mas não teve a participação de Lula.

O presidente afirmou que optou por não comparecer para “não passar a ideia de que quer tirar proveito político de algo sagrado”. Em seu lugar, participou o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.

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