quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

PESQUISA DATAFOLHA APÓS UM JANEIRO DE GUERRA NA POLÍTICA DE PERNAMBUCO.


O calendário eleitoral de Pernambuco entra em fevereiro sob medição direta de forças entre os dois principais grupos políticos que devem se enfrentar no pleito de outubro.

A primeira pesquisa do Datafolha, prometida para esta quinta-feira (5/2), assume função de marco político do ano. Depois de um janeiro dominado por ataques diários de parte a parte, denúncias cruzadas e disputa permanente nas redes sociais, o levantamento vai colocar as campanhas diante do primeiro teste fora das próprias bolhas.

Quem crescer agrega apoios. Quem perder tração pode perder espaço. A eleição, que meses atrás sugeria vantagem confortável para um lado, agora se apresenta cada vez mais aberta e imprevisível.

João Campos (PSB) iniciou o ciclo como franco favorito, desde 2024. Reuniu patamares próximos de 70 por cento das intenções de voto em alguns levantamentos e conduziu uma estratégia de preservação de vantagem.

Mas a sequência de pesquisas mostrou desaceleração. A liderança permanece e não é pequena, mas a margem escolheu e a hipótese de ficar abaixo de 50% pela primeira vez na estimulada do Datafolha altera o ambiente político.

O candidato já não controla o ritmo da disputa. Aliados calculam riscos. Adversários avançam. Acompanha entra em terreno competitivo. A impressão de que a eleição poderá ser muito mais apertada do que se imaginou lá atrás pode assustar aliados. E não é fácil administrar isso.

Já Raquel Lyra (PSD) percorre trajetória de crescimento, embora não se saiba ainda se a ascensão perdurará. A governadora partiu de um patamar próximo aos 20%, reorganizou a comunicação, concentrou anúncios administrativos no fim do ano passado e transformou a gestão em ativo eleitoral. A curva indica consolidação gradual.

A redução da distância fortalece a percepção de viabilidade e reorganiza o tabuleiro. A governadora amplia presença no centro do eleitorado e assume postura ofensiva, com agenda de contraste direto em relação ao adversário.

Em outubro de 2025 um dado na última pesquisa Datafolha chamou a atenção. Raquel e João apareceram empatados na pesquisa espontânea com 23% x 23%. O indicador mede lembrança real de voto, sem indução por lista de nomes e dá uma ideia do ponto de partida dos postulantes. A curiosidade agora é para saber como esses números estarão na pesquisa desta semana.

Na estimulada, em outubro, o Datafolha apontou uma vantagem de João sobre a atual governadora, 52% x 30%. Nos bastidores, onde tem gente fazendo pesquisa quase diariamente, há quem aposte que ele aparecerá abaixo dos 50% e ela está no patamar de 35%.

Janeiro operou como ensaio geral de confronto. Acusações sobre a gestão municipal, questionamentos ao governo estadual, vazamentos seletivos e embates diários ocuparam blogs e redes sociais. O ambiente produziu engajamento intenso, mas o efeito eleitoral permanece incerto. O ruído digital amplia a militância já convencida e pouco alcança o eleitor comum, que reage a temas concretos como serviços públicos, emprego e segurança.

Pernambuco se encaminha para uma eleição decidida por margens estreitas, com campanhas obrigadas a disputar voto no centro do campo e reduzir a retórica de nicho. O primeiro número do ano tende a confirmar o que os bastidores já registram. A corrida de 2026 será muito mais equilibrada do que se imaginava.
Fonte: Jornal do Commercio

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