terça-feira, 3 de março de 2026

VIRANDO & REVIRANDO.

100 DIAS

Falta 100 dias para a bola rolar maior Copo do Mundo da História, aquela que vai cruzar fronteiras e idiomas, dividida entre Estados Unidos, Canadá e México. Cem dias parecem muito quando olhamos no calendário. Mas, no futebol, é um sopro. Um piscar de olhos entre a dúvida e a glória.

Cem dias para a Seleção Brasileira se reencontrar consigo mesma.

O torcedor brasileiro aprendeu a conviver com o peso da própria camisa. A amarelinha não entra em campo sozinha: ela carrega 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 nas costas. Carrega Pelé, Romário, Ronaldo. Carrega o trauma recente, as eliminações doloridas as promessas que ficaram pelo caminho.

E agora?

O Futebol da Seleção tem oscilado entre lampejos de genialidade e momentos de incertezas. Há talento - sempre há. O Brasil é celeiro. Surge um ponta driblador aqui, um meia criativo ali, um zagueiro firme acolá. O problema nunca foi matéria-prima. O problema tem sido liga, identidade, convicção.

Cem dias é tempo suficiente para ajustar o sistema defensivo? Para definir quem é o dono do meio-campo? Para transformar posse de bola em agressividade real? Talvez não completamente. Mas é tempo para algo mais importante: criar espírito.

Porque Copa do Mundo não se vence apenas com tática. Vence-se com grupo. Com jogadores que entendem que ali não jogam por contratos europeus, mas por milhões de vozes roucas em frente à televisão. Vence-se quando o talento individual aceita ser parte de algo maior.

Devemos ter esperança?
O torcedor brasileiro não sabe torcer sem esperança. Pode reclamar, pode duvidar, pode criticar escalação, mas quando o hino começa, ele acredita. Acredita porque já viu acontecer. Porque sabe que, quando a bola começa a correr diferente, quando o primeiro drible encaixa, quando o primeiro gol sai, o peso vira combustível.

Há motivos para cautela, sim. A concorrência é feroz. As seleções europeias chegam organizadas, intensas, frias. As sul-americanas vêm cascudas. Ninguém teme apenas o Brasil como antes. E talvez isso seja bom.

Talvez jogar sem o rótulo de favoritos absoluto seja libertador.

Cem dias não são apenas um contagem regressiva. São uma contagem interna. De ajustes, de conversas no vestiário, de decisões difíceis. De escolher quem vai e quem fica. De formar não apenas um time, mas um propósito.

O Brasil entra na Copa com dúvidas. Mas entra, como sempre, com talento e história. E no futebol, história pesa. Às vezes pesa contra. Às vezes empurra para frente.

Faltam 100 dias.

E enquanto o calendário corre, o torcedor faz o que sempre fez: reclama hoje, acredita amanhã.

Porque no fundo, bem no fundo, o Brasil nunca deixa de acreditar que pode ser hexacampeão.

E talvez seja exatamente essa fé que ainda nos mantém no jogo.
Por: Clemildo Galdino

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pesquisar este blog