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sexta-feira, 20 de junho de 2025

CRÔNICA DE MÁRIO SANTOS. #265

 

BACAMARTEIROS
- Que estouro foi esse? Menino, vai ver o que é.
- São os bacamarteiro, mãe!
Bacamarteiros são homens que marcham com o bacamarte na mão, todos fardados, mas agora só atiram na solidão.
Que diabos foi isso? Esqueceram das troças e dos batalhões?
Maria faz o bolo, Nita faz o café, acendam a fogueira, os tiros já estão perto, os bacamarteiros vão chegar, a festa vai começar... Era assim.
No terreiro a fumaça.
Quem der o tiro maior ganha o primeiro pedaço de bolo o quentão e a cachaça.
Atira Chico Salu, atira Zuza Monteiro... 
Os bacamarteiros daqui a pouco sairão para Ibirajuba.
Na festa de Tiu Pereira, todos atiram.
Homens e mulheres, no folclore que não morre, mas que implora:
Quem me socorre.
Se é que vocês me entende!!!

quinta-feira, 19 de junho de 2025

CRÔNICA DE MÁRIO SANTOS. #264


A CASA
Se algum de vocês passar no Sítio Gavião, vos aviso: a casa que já foi amarela agora é verde. Mas é a mesma casa, das mesmas pessoas, do mesmo Rouxinol que canta nas manhã de verão.
Os sonhos e as almas daquela gente talvez tenham ido embora com o amarelo da saudade. 
E se as aves tentarem explicar por que verde? Perguntai aos gatos, aos grilos, perguntai ao sol.
Dois cachorros, uma família, e a casa que já foi rosa, depois amarela, e hoje, à noite, é verde.
O endereço: Sítio Gavião. E o número? Tantos quantos as estrelas.
E a visita mais esperada dessa casa? Do vendedor de pirulito e algodão-doce, aos sábados. 
A casa verde, o castelo de Ana.
Se é que vocês me entendem!!!

terça-feira, 17 de junho de 2025

CRÔNICA DE MÁRIO SANTOS

O AÇUDE
Nosso açude, gigante cheio de mistério, homens e animais com seus pés enfiados na lama. Os pardais, os tuins, os pintassilgos e até o urubus matam a sede nas águas do açude. 
As mulheres, de lata na cabeça, levando água para botar no pote, e a água era boa.
Ibirajuba com suas casas feitas de tijolos de barro, feitos manualmente, com água do açude.
Os primeiros moradores da cidade, derramaram se suor e se lavaram no velho açude.
As lavadeira com suas bacias de roupa, o assobio dos carreiros, suas juntas de boi. "Vai Canário, bora moreno". Vai puxando água, botanto a saudade em um retrato, onde as mocinhas de outrora se banhavam, que singela inocência.
O tempo passou e o velho açude se superou, ganhou status e a beleza de um pavão. E a noite quando tem lua, suas águas, parecem um vestido de noiva, todo prateado.
Mas ficou na memoria, a boa cachaça, o peixe pegado no anzol e assado ali mesmo, na beira do açude.
Acender um cigarro de palha, sentar nas sombras do eucaliptos e recordar, o entra e sai das pessoas buscando água no velho açude.
Que lembrança tão linda, que vontade de molhar os pés, e me banhar naquelas águas. 
Se é que vocês me entendem!!!