sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

PERNAMBUCO TEM 107 MUNICÍPIOS EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA.


Do litoral ao Sertão, Pernambuco enfrenta os efeitos da crise climática ao longo de todo o ano. A situação se agravou principalmente no interior do estado, onde a escassez de chuvas levou ao decreto de situação de emergência em 107 municípios, com impactos diretos no acesso à água.

O decreto tem vigência de 180 dias e permite a adoção de medidas emergenciais. Segundo o gerente de Gestão de Riscos e Desastres da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, tenente-coronel Márcio Amorim, a resolução te o objetivo de adotar "medidas importantes na área de abastecimento de água, saúde, assistência social, agricultura e pecuária, visando minimizar os efeitos dessa estiagem em municípios diretamente afetados".

A crise do abastecimento tem como principal causa a estiagem na região. De acordo com o diretor de Regulação e Monitoramento em exercício da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Clenio Torres Filho, o fenômeno tem se intensificado nos últimos anos e pode se agravar ainda mais.

"A seca vem se agravando nos últimos anos de oeste para leste, chegando a uma situação onde hoje nós temos 11 municípios com seca extrema, 46 com seca grave, 35 com seca moderada e 49 já com a seca fraca se instalando. Existe uma possibilidade, inclusive, dessa situação piorar ao longo do próximo ano se nós não tivermos chuvas insignificantes". explicou.

Um levantamento da Apac aponta que o volume de chuvas registrado no último ano foi de 37% na Região Metropolitana do Recife, 27% no Agreste e 25% no Sertão. Com esses índices, os reservatórios não alcançam níveis suficientes para garantir o abastecimento regular das famílias pernambucanas.

A barragem de Jucazinho, maior do Agreste e a terceira maior de Pernambuco, entrou em situação de pré-colapso nos últimos meses e atualmente opera com apenas 1,23% da capacidade total, afetando diretamente mais de 132 mil pessoas.

Em Bezerros, no Agreste, o calendário de abastecimento da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) indica que, em janeiro, a população terá fornecimento integral de água em apenas quadro dias e abastecimento parcial em dois dias. Nos demais, não haverá distribuição.

Situação semelhante afetam áreas do município de João Alfredo, também no Agreste, onde o abastecimento total ocorre em apenas um dia, com fornecimento parcial em outros dois ao longo do mês.

"Temos um evento crítico que vem se construindo ao longo dos anos e comprometedora a disponibilidade de água para a população, para os diversos tipos de demandas existentes no estado", destaca Clenio.

O secretário executivo de Infraestrutura Hídrica de Pernambuco, Marcelo Asfora, destacou ações adotadas pelo Governo do Estado para reduzir os impactos da crise hídrica. Segundo ele, a gestão pretende triplicar os investimentos em sistemas de saneamento rural ao longo de 2026.

"O governo do Estado está investindo no implantação de sistemas integrados de saneamento rural, nas perfuração e recuperação de poços e na implantação de sistemas de dessalinizadores. Com um investimento total de aproximadamente R$ 6 milhões, as ações de dessalinização já contam com 23 sistemas entregues e oito em andamento", explicou. 

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